Estudo do Hay Group revela as competências críticas para 2020

Integrado na equipa de trabalho da AÇÃO 1 promovida pelo BCSD Portugal – Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável, o Hay Group, consultora global de gestão, desenvolveu e implementou um questionário a 47 empresas da economia portuguesa com o objetivo de identificar as competências que são essenciais para o desenvolvimento do seu negócio no próximo ano e num horizonte de 3 a 5 anos; compreender que tipo de competências vão as empresas recrutar, quais as áreas onde o recrutamento é mais escasso no mercado português e de que forma está o ensino português adequado às necessidades de recrutamento das empresas.

As principais conclusões do estudo revelam:

  • Em 2016, as 47 empresas participantes no estudo estimam criar 3.600 novos postos de trabalho, aumentando em 1,5% a sua força de trabalho.
  • Num horizonte de 3 a 5 anos, o planeamento destas empresas aponta ainda para a criação de 7.500 a 11.200 novas vagas.
  • As competências técnico-profissionais são as mais valorizadas pelas empresas inquiridas, destacando-se a procura por profissionais com conhecimentos em Operações e Logística, Automação, Comercial e Marketing, Engenharia de Materiais e Mecânica e Engenharia Tecnológica.
  • As engenharias são a área com maior escassez de competências no mercado, sendo que em 2016, as empresas preveem recrutar 1200 profissionais para as áreas de engenharia informática.
  • A competência comportamental mais escassa entre os profissionais portugueses é a Liderança e a considerada mais crítica para o sucesso do negócio destas empresas é a orientação para os resultados e orientação para o cliente.
  • 80% das empresas participantes perceciona os candidatos saídos do 12º ano como pouco preparados para as suas necessidades.

Aumento da força de trabalho em 1,5%

As 47 empresas que participaram no estudo desenvolvido pelo Hay Group no âmbito da AÇÃO 1 do projeto de desenvolvimento do BCSD Portugal estimam criar já em 2015 3.600 novos postos de trabalho, reforçando a sua força de trabalho em 1,5%.

Segundo as projeções do Banco Central Europeu, prevê-se a criação de um total de 31 mil postos de trabalho no próximo ano, em Portugal. A confirmar-se a estimativa, estas 47 empresas serão responsáveis por 11% dos novos postos de trabalho criados em 2016.

“Poderíamos partir do pressuposto que estaríamos a falar de um número de empresas relativamente pequeno”, esclarece Rui Luz, Head of Consulting do Hay Group Portugal. “O facto é que a sua representatividade no contexto económico nacional é extremamente importante e significativa.” As 47 empresas participantes empregam mais de 240 mil colaboradores (embora nem todos localizados em território nacional), geram um volume de faturação que se aproxima dos 70 mil milhões de euros e representam mais de 3% do PIB português. “Há que dizer que existem setores de atividade em Portugal que não contribuem tanto como estas empresas o fazem.”, conclui Rui Luz.

Até 2020, as mesmas empresas revelaram prever recrutar entre 7.500 e 11.200 novos colaboradores para integrarem as suas equipas.

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As competências técnico-práticas são as mais valorizadas

Com o objetivo de identificar as competências essenciais para o desenvolvimento do seu negócio, as empresas participantes no estudo apontaram como críticas cinco competências:

Operações e Logística
(ex: Técnico de Operação Logística; Responsável de Entreposto Logístico)

Automação
(ex: Técnico de Robótica; Programador CNC (máquinas robotizadas); Programador de Automação)

Comercial, Marketing e Comunicação
(ex: Técnico de CRM/ Marketing Relacional; E-commerce)

Engenharia de Materiais e Mecânica
(ex: Designer de Produto; Engenheiro Industrial)

Engenharia Tecnológica
(ex: Técnico de Redes; Programador; Analista de Sistemas)

Segundo os resultados deste estudo, as competências mais valorizadas pelas empresas inquiridas concentraram-se na esfera técnico-prática, ou seja, em funções que requerem uma formação profissional concreta, e não a tradicional formação superior. “Não deixa de ser interessante que aquilo que são as características mais próximas do plano operacional ou tático-operacional são os pontos de enfoque da maioria destas organizações.”, salienta o diretor do Hay Group Portugal.

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1/3 do recrutamento foca-se no Digital

Quando questionadas sobre a dificuldade em encontrar no mercado os profissionais que consideram mais críticos para o desenvolvimento do seu negócio, as empresas participantes confirmam que a escassez se mantem nas áreas críticas atrás identificadas, com especial enfoque nas engenharias com caracter mais tecnológico, como as tecnologias de informação (TI). “Não creio que estejamos perto de uma bolha tecnológica, como aquela que vivemos no início do século.”, avança Rui Luz do Hay Group. “mas acho que para algumas competências em particular, vamos ter efetivamente uma dificuldade grande para recrutar pessoas com estas competências específicas no mercado.”

Já em 2016, um terço das novas contratações previstas estão concentradas na área de Engenharia Informática. Ou seja, as organizações inquiridas estimam recrutar 1200 novos colaboradores com as seguintes competências: Informática Geral (30%); Análise e Programação (25%); Informática de Gestão (18%); Informática: Programação em Ambiente Microsoft (e.g. .Net, C#) (9%); Informática: Programação Opensource (e.g. Java) (9%); Informática: Ferramentas de Desenvolvimento Web B2B (9%).

Quanto ao horizonte temporal, os resultados do questionário revelaram que a tendência de procura e valorização das áreas de engenharia informática não só se confirmam com se intensificam de 30% para 37% nas previsões de contratação. “Não sei se ainda vamos a tempo de influenciar algumas das decisões do ponto de vista de formação específica, mas pelo menos para estas 47 empresas, o digital vai ser claramente um mercado de aposta para o recrutamento do futuro.”, destaca Rui Luz.

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Paga-se mais aos mais procurados?

Com base no Estudo Salarial 2014 do Hay Group, o comportamento da retribuição em Portugal também acompanha a procura pelas competências mais valorizadas e escassas, não só na área das Tecnologias de Informação (1,1% acima da mediana de Mercado), como também na Logística (2% acima da mediana de Mercado) e Engenharias (3% acima da mediana de Mercado).

­­Em 2015, já se assiste ao crescimento salarial para as competências atrás identificadas, comparando com a mediana do mercado geral. “O que revela um comportamento efetivamente muito acelerado daquilo que é a evolução de salários específicos direcionados a essa realidade de pessoas.” analisa o responsável do Hay Group em Portugal.

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Bons Líderes procuram-se

A par das competências técnicas, o questionário procurou ainda identificar as competências comportamentais mais valorizadas pelas empresas portuguesas que participaram no estudo. A Liderança revelou-se a competência mais difícil de recrutar. “O enfoque das empresas nesta competência sublinha o trabalho que ainda temos de realizar no sentido de transformar o sistema de ensino nas suas componentes mais estruturais.”, acrescenta Rui Luz, Head of Consulting do Hay Group. “Preparar pessoas para o exercício da Liderança, nos mais diversos contextos em que esta ocorre, deve ser uma missão endereçada pelas escolas desde muito cedo. Temos hoje já vários exemplos de programas associativos em contexto escolar a preparar jovens na sua formação comportamental: no empreendedorismo, trabalho de equipa, através da analogia do desporto, etc.”

Do ponto de vista de criticidade, a orientação para os resultados e a orientação para o cliente (externo e interno) evidenciaram-se. Segundo Rui Luz, “se a Liderança era esperada como escassa, já o resultado na valorização não o era forçosamente. Na generalidade, essas competências são destacadas, mas o seu grau de criticidade varia muito conforme o tipo de organização.”

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12º ano deve ser a aposta do futuro

O estudo procurou ainda, de forma não exaustiva, recolher a perceção destas empresas sobre a qualidade do ensino em Portugal. 80% das organizações inquiridas considera os candidatos saídos do 12º ano pouco preparados ou não totalmente adequados às suas necessidades. Quando a questão se coloca relativamente aos candidatos saídos do ensino superior, a opinião melhora claramente, sendo que apenas 30% mantém a perceção de desadequação face à sua realidade laboral.

“A via profissionalizante ou de capacitação profissional à saída do ensino obrigatório parece gerar consenso do ponto de vista de prioridade de atuação.”, adianta o diretor do Hay Group. “Penso que estes resultados nos forçam, empresas e entidades públicas a, tão rapidamente quanto possível, aprofundar a cooperação no sentido mitigar o gap entre a oferta educativa e de desenvolvimento profissional e as reais necessidades das empresas. Só co-construindo a solução poderemos transformar a economia portuguesa e vencer o desafio de crescimento das nossas empresas.”, conclui.

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Acerca do Estudo

Foi aplicado um questionário online entre os dias 21/11/2014 e 1/03/2015.
No plano das competências técnicas, o questionário era composto por mais de 150 competências técnicas agrupadas em 19 clusters de áreas técnicas. No plano comportamental, foram identificadas 11 competências.

O questionário foi respondido por 47 empresas membro do BCSD Portugal:
ABB, Abreu Advogados, Accenture, Amorim, ANA Aeroportos, AXA, BA Vidro, BANIF, Biorumo, BPI, Bosch, Cepsa, CGD, Cimpor, CP, CTT, CUF, Deloitte, EDIA, EDP, Esporão, Everis, Grupo Ferpinta, Galp Energia, grupo Portucel Soporcel, Hay Group, IBM, Informa DB, Jerónimo Martins, José Mello Saúde, Lactogal, Liberty Seguros, Lidergraf, Lipor, Metropolitano Lisboa, Montepio, Nestlé, Ovo Solutions, grupo Pestana, , PWC, Randstad, REN, Solvay, Sonae, Transtejo, Unicer e Xerox.

A amostra de empresas inquiridas representa 3,3% do PIB nacional, empregam 240 mil colaboradores e faturam 67 mil milhões de euros na sua atividade global.

Nota: valores aproximados; dados relativos às 47 empresas participantes obtidos a partir de R&C e/ou de outras fontes públicas; contribuição para o PIB calculada a partir da estimativa dos VAB individuais de cada empresa.